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Mostrando postagens de dezembro, 2022

Expectativas

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Que seja doce o dia quando eu abrir as janelas e lembrar de você. Que sejam doces os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira - quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar. Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e recadinhos bonitinhos. Que seja (mais do que) doce a voz ao falar no telefone. Que seja doce o seu cheiro. Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio. Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto. Que sejam doces suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. Que seja doce a ausência do meu medo. Que seja doce o seu abraço. Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão. Que seja doce. Que sejamos doces...

Trinta ou quase

Porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse é o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.

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  Nos dois ali, sentados naquele estacionamento. A garoa fina caindo, o frio de julho. Meu coração compassado com o teu. Era nossa música. A marcha das borboletas atravessando o estômago, voavam em espiral, tocando toda a caixa torácica. Falávamos de algo que não importava, o assunto não passava de desculpa para continuarmos ali. Tua cabeça procurou meu ombro e minha mão procurou a tua mão. Movimentos simultâneos, ensaiados em outras vidas. Não cogitávamos nos beijar, o toque dos lábios não pertencia àquele momento sagrado. Eu precisava ir, você precisava ficar um pouco mais. Nós precisávamos estar para sempre. A garoa já não era fina como antes. Refletia, turva, nossa imagem na poça de água. Os carros entravam e saiam daquele estacionamento e nós dois indecisos quanto a entrar ou sair da vida um do outro.