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Nos dois ali, sentados naquele estacionamento. A garoa fina caindo, o frio de julho. Meu coração compassado com o teu. Era nossa música. A marcha das borboletas atravessando o estômago, voavam em espiral, tocando toda a caixa torácica. Falávamos de algo que não importava, o assunto não passava de desculpa para continuarmos ali. Tua cabeça procurou meu ombro e minha mão procurou a tua mão. Movimentos simultâneos, ensaiados em outras vidas. Não cogitávamos nos beijar, o toque dos lábios não pertencia àquele momento sagrado. Eu precisava ir, você precisava ficar um pouco mais. Nós precisávamos estar para sempre. A garoa já não era fina como antes. Refletia, turva, nossa imagem na poça de água. Os carros entravam e saiam daquele estacionamento e nós dois indecisos quanto a entrar ou sair da vida um do outro.

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