A mina do soldado (parte 1)
Se fizermos um breve exercício de reflexão, muito provável que encontremos nos arquivos de memória alguma que se pudéssemos apagaríamos. Para a minha infelicidade, possuo um servidor apenas para armazenar esse tipo de memória. Na pasta FORNICAÇÃO estão as que eu realmente gostaria de apagar. No meio desses arquivos, numa data que eu prefiro não informar ao leitor porque pegaria muito mal para a pessoa envolvida, encontra-se a memória que eu nomeei “A MINA DO SOLDADO”.
Antes do fim da era do MSN, antes que aquele retiro virtual deixasse de existir; preciso informar aos leitores mais jovens que era ali, naquele programa de mensagens instantâneas, que praticávamos a atividade mais primitiva que a humanidade poderia praticar: A CAÇA.
Numa noite de um dia qualquer eu adentrei naquela selva virtual e, portando apenas um singelo repertório de cantadas passei a buscar, com destreza, o meu alvo. E foi assim que conheci a Bruna (que provavelmente é um nome fictício, ou não, vai saber...).
Naquela noite a Bruna estava em uma janela vermelha, ocupada com alguma coisa ou querendo passar a impressão de não estar disponível. Provavelmente ela estivesse sentada em uma cadeira de cozinha. Provavelmente estava ali, ouvindo alguma música no youtube. Provavelmente estivesse esperando ser a presa de alguém... não acredita? Acha que minha narração é ofensiva e misógina? Espere até conhecer a Bruna.
A Bruna era o perfil de mulher que Sherazade — não a Raquel jornalista, mas a esposa do rei Sahriyar... sabe? Aquela que enrola o rei por 1001 noites para não morrer — descrevia em suas histórias assombrosas e maravilhosas. Ela, a Bruna, gostava de sentir-se desejada e não se importava com mesuras. Era uma mulher decidida. Governava com tirania seus desejos mais sombrios. Seu porte físico lembrava uma guerreira indígena da Bretanha pré-romana ou uma viking selvagem. Sua longa cabeleira com grossos fios de cabelo cor de cobre contrastavam com o azul pálido de seus olhos e indicavam a ancestralidade nórdica de que falei anteriormente. Tinha um sorriso amarelado, mas vívido, que quando arqueado naturalmente em uma gargalhada conseguia esconder sua maldade com a aparência de sagacidade. Talvez até houvesse sagacidade. Não houvesse, ela não obteria sucesso nas concessões de suas vontades e desejos.
Mas voltando àquela noite, preciso reconhecer que não fui eu o caçador bem-sucedido. Ela estava caçando e eu fui a presa inocente.

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