Outra memória pela metade


Primeiramente eu quero dizer que sei que estou devendo a sequência das crônicas anteriores, e juro que em breve elas serão postadas. 

Dito isso, quero fazer aqui uma breve introdução da minha narrativa:

Observação: a narrativa a seguir contém a integra dos fatos acontecidos entre 2008 e 2018.

Em 2008 eu estava cursando o primeiro ano do ensino médio. Nesse mesmo ano meus pais passaram a cogitar ter internet em casa. Eu já usava a internet nas Lan Houses ou na casa de amigos. A internet naquela época não era algo fundamental na vida das pessoas como é hoje, era apenas um lugar para consultar recadinhos ou visualizar as fotos que foram postadas no final de semana – quando a conexão era mais barata. A rede social para conversar era o MSN, mas era tedioso aguardar seus amigos ficarem online para poder jogar conversa fora. Esses encontros costumavam ser combinados, tipo: – entra no MSN às 20h hoje, pode ser?

Costumávamos ter coisas mais interessantes pra fazer. A rua na frente de casa, a rua atrás da rua da frente de casa, a rua debaixo, a rua no outro bairro... todas as ruas... sempre estavam movimentadas com algum grupinho de adolescentes reunidos. Às vezes – na maioria das vezes – os vizinhos se incomodavam com isso e jogavam água para nos espantar, como se fossemos cachorros de rua. No máximo mudávamos de calçada. Muitas vezes nossos encontros aconteciam na frente da Lan House... dá pra ter uma noção de como era supérfluo o contato virtual, né? Se você que está lendo viveu essa época, peço desculpas pelo prólogo.

Pois bem. Foi nessa época que conheci a Thais. Como eu disse antes, eu estava no primeiro ano do ensino médio e a Thais estava na 7ª série. Eu conheci a Thais através da mãe dela. Não que a Mãe dela tenha-a apresentado a mim. Na verdade eu copiei a lista de contatos de um amigo, esse amigo tinha copiado a lista de um outro amigo... bom, não tenho idéia de quem era o proprietário original dessa lista de contatos. O fato é que muita gente tinha acesso a ela.

A mãe da Thais era uma loira, adulta, jovem e muito bonita. E eu, eu era só um adolescente. Tentei chamá-la algumas vezes para conversar... nunca me deu moral. Provavelmente porque eu era adolescente e ela era adulta, bonita e casada... provavelmente, né?! Ela devia ter uns 35 anos. O que me faz questionar o motivo de um cara de 35 anos dar atenção pra uma menina adolescente. Estranho, né?!

Resumindo: a mãe dela nunca me deu uma mísera atenção. Eu, então, acabei desistindo. E revisando meus contatos descobri o nome da Thais. Tinha o mesmo sobrenome que a mãe. Usava como avatar uma foto com franja de emo cobrindo um dos olhos... a foto carregada de filtro do photoscape (era o app de edição de fotos da época) e cara de criança. Ela devia ter uns 12 anos na época e não me despertou interesse.

Mas esse é só o começo dessa história.

Três anos depois eu estaria na frente da delegacia, numa sexta-feira, esperando essa mesma menina... 

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