As vezes no silêncio da manhã


Lembro que naquela manhã abri os olhos de repente, olhavava aquele teto claro, com algumas teias de aranha nos cantos. Minha mão buscou você, mas tocou um espaço vazio ao meu lado sobre a cama, e não encontrando, procurou um cigarro no maço sobre a mesa; virou o despertador de frente para a parede e depois buscou um fósforo. Acendi uma chama e fumei, fumei e fumei: Meus olhos fixos naquele teto claro. O ano você deve imaginar... chovia muito e os jornais alardeavam enchentes. No centro, os carros eram carregados pelas águas, os ônibus deixavam de operar e nas praias o mar explodia alto respingando pessoas amedrontadas. A minha mão direita conduzia espaçadamente um cigarro até minha boca: minha boca sugava uma fumaça áspera para dentro dos pulmões escurecidos: meus pulmões escurecidos lançavam pela boca e pelas narinas um fio de fumaça em direção ao teto claro onde meus olhos permaneciam fixos. E minha mão esquerda ainda tocava aquela ausência sobre a cama. Eu estava sozinho.

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