Espere o trânsito passar



Você volta, mas não volta. Não há confusão, é tudo muito bem comunicado. Mantem as fotos penduradas no varal com prendedores velhos, e esconde as cartas debaixo do colchão. Você volta sem precisar dar a volta. Você volta porque eu estou a sua volta. As mesmas palavras gentis, o romance de Belle Époque e o ar frio do outono. Tal qual Píramo e Tisbe, sendo você o muro que impede nossa felicidade. Já fugimos antes, nosso trágico fim, conhecido, tornou-se tela em sangue. Não há divindade conhecida que derrame bençãos em nossos votos – por isso nunca fizemos? Eu leio nas estrelas o sofrimento dos anos vindouros, mas o licor amargo dos teus lábios tem o poder de adormecer meu espírito tão inquieto. Estou dependente. Melhor dizendo: estou abstido.

Nunca fará sentido.

Talvez nem precise fazer.

Apenas segure minhas mãos enquanto dirijo por essa estrada incerta, a canção no rádio e minha voz macia serão suficientes para te enganar.

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