Sonho de uma tarde de outono
E se nunca precisássemos nos conhecer? Eu passaria a vida inteira tentando desvendar esse mistério. Conversaríamos nus, na cama, olhando o teto. Meus dedos e os teus tocando-se nas pontas, buscando absorver os segredos ocultos na malha da alma. Tua boca encontraria a minha, falaríamos a mesma língua e criaríamos uma nova, misturando a nossa. Eu seria Ninrode e você Semíramis, ambos buscando alcançar as nuvens. Reescreveríamos a história das constelações... O universo dos teus olhos seria a nossa realidade. Eu caminharia tua pele láctea, visitando cada estrela dessa constelação. Honraríamos todos os deuses: Febo, com sua poesia; Dionísio, com o vinho e Febe, dançando ao luar... tomaríamos as estradas mais sinuosas, curso de belas praias e cachoeiras. Eu me sentaria na tua garupa e você no meu passageiro. Minhas mãos na tua cintura e tua mão segurando a minha. Eu acreditaria que meu propósito nesse mundo é viver cada segundo como se fosse o último. Transaríamos sob a luz turva de alguma floresta, ouvindo a corrente de água arrastar todas as nossas preocupações. Seus cabelos espalhados, você sorrindo, as gotículas de suor se formando nos teus poros. Eu fecho os meus olhos e me dou conta de que esqueci a janela da alma entreaberta... as borboletas dessa floresta encantada já encontraram meu estomago.
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