Eu encontrei ela no Tinder
No começo, tudo era cru. O homem ainda não havia descoberto como controlar o fogo e não existia nenhum tipo de organização. Desta forma, para comer, contava simplesmente com a força. E com um pouco de sorte.
Mas o homem evoluiu. Lentamente. E alguns começaram a perceber que era possível controlar e preservar seu fogo. Como consequência, passaram a comer melhor e de maneira menos aleatória. Surgiram, assim, a fogueira e as vaidades, que permitiram aos dominantes se alimentar como nenhum outro. Mas o homem nunca está satisfeito. Ele quer sempre comer mais.
Por isso, a sociedade se organizou e transformou a fogueira em fogão a lenha. Essa mudança permitiu que o homem abandonasse a caça e passasse a se dedicar às ciladas. Para tanto, começou a construir armadilhas para atrair presas, que eram praticamente encarceradas e postas à sua disposição, sempre que quisesse comer. Era bom, mas era pouco para a insaciabilidade do homem. Ele comia fora de casa.
Até que as presas se cansaram. Surgiram os fogões a gás e sutiãs foram queimados. O homem tentou manter seu status dominante, mas acabou cedendo cada vez mais. Teve de ceder. Com tanto gás disponível, o fogo estava controlado e à disposição de muitos. Na natureza, como se sabe, todos são caça e caçador. Equidade. Nada mais justo.
Foi quando a sociedade se tornou virtual e surgiu o microondas. O microondas é a mais emblemática e paradoxal revolução humana: criamos uma forma de esquentar mais rápido o que queremos, mas perdemos muito em sabor, textura, cheiro. Ele aquece, mas não há fogo. Ele descongela o que não está fresco.
Por isso, passamos a congelar o que, um dia, (talvez) queiramos esquentar e compartilhar. Deixamos ali, guardado no fundo das nossas redes sociais, imaginando que estarão dentro da validade quando quisermos. O microondas deixa tudo à disposição. Basta um pouco de dedicação e alguns minutos de paciência.
Nunca gostei muito de congelados. O prazer não é o mesmo; é só masturbação.
A propósito: tem mensagem para você.
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