VERBA VOLANT SCRIPTA MANENT


Reconheço, estou em desequilíbrio, estou me distanciando cada vez mais. Faço este esforço até quem sabe alcançar um ponto tão remoto que não saberei jamais encontrar o caminho de volta, se existe um, e penso que não. Ao pé da escada ela me espera, braços abertos, parada sobre o tapete. Tem o peito largo, sinto, ao afundar de encontro a ele essa parte minha sem forma a que acostumei chamar de face, seus braços podem dobrar-se apertando minhas costas enquanto sinto seu cheiro, esse cheiro espesso de sal, algas, corais, medusas, águas-marinhas. Quero perder-me nela, como o que nunca terei... fecho também meus braços em torno de suas costas, aproximando-a de mim para que nossos dois corpos se confundam, para que nossos cheiros se misturem, para que pelo menos por um segundo sejam, eu, ela, uma coisa única...

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Oi, sonhei contigo!

Expectativas